Oficinas de Desenvolvimento Socioemocional junto aos Jovens da Gerando Falcões

A Gerando Falcões é uma rede de ONG's de desenvolvimento social que ao comando do @edulyragf faz um trabalho impecável com o intuito de "transformar a pobreza da favela em peça de museu." Trata-se de um grande ecossistema que atua por meio da estratégia de rede em periferias e favelas de todo o Brasil. Através da Falcons University, Unidades Aceleradas, Oficinas e o Redesenho de Favelas, suas ações são pautadas em análise de dados e gestão eficiente para interromper o ciclo de pobreza.


Alguns números que mostram o quão grandiosa é esta missão que faz da Gerando Falcões uma das maiores potências

de desenvolvimento social no Brasil:


1.545 Favelas impactadas

205.245 Pessoas impactadas pelos projetos

138 ONGs no ecossistema em rede


Encontro realizado em novembro de 2021 na sede da Gerando Falcões em Poá (SP) para entrega dos Certificados da Formação dos jovens do Grupo Bazar Escola. Estamos completamente entusiasmadas em compartilhar detalhes desta jornada de transformação que expandiu a Comunicação para a paz, dentre outros temas transformadores, junto aos Jovens Falcões que realizam a vivência prática no Bazar Solidário da Gerando Falcões. A nossa tarefa foi a de trabalhar a autonomia do grupo de Jovens Falcões que atuam no Grupo do bazar escola, com funções como atendimento cliente, logística e vendas do bazar solidário realizado pela Gerando Falcões.


Por meio do uma abordagem transdisciplinar e integrativa, nós desenvolvemos oficinas únicas com o intuito de acompanhar essa juventude no desenvolvendo de suas habilidades socioemocionais, um processo que envolve diversos fatores, como autoconhecimento, insegurança, empoderamento, alta vulnerabilidade social, intervenções lúdicas e a construção de novos paradigmas. Trata-se de um caminho educativo que leva estes jovens a uma tomada de decisão mais consciente. Nossas oficinas aconteceram de forma híbrida, dentre os meses de julho a novembro de 2021, com encontros mensais de 4 horas de duração junto a 45 jovens com idades entre 15 a 21 anos.


Confira os temas que foram desenvolvidos de forma conjunta:


1º encontro: Roda de Escuta Empática


Segundo Roberto Crema, Reitor da Universidade Internacional da Paz (UNIPAZ) a primeira obra para o cuidado é através da escuta. Precisamos nos tornar cada vez mais agentes de cura do corpo físico, emocional, mental e também da nossa alma. Antes de falar de amor, nós precisamos falar de escuta. Neste primeiro encontro ouvimos de cada um dos jovens quais são seus maiores medos, dons, sonhos, como querem ser lembrados quando tiverem 80 anos e claro, algumas curiosidades que nos fizeram compartilhar ótimas risadas. Descobrimos que no grupo estávamos entre poetas, cantoras, dançarines, esportistas, violinistas e até mesmo musicistas que tocam harpa! Além disso, que muitos dos nossos medos são partilhados e quando olhamos para eles e nos vulnerabilizarmos, recebemos acolhimento e força, pois nos conscientizamos de que não estamos sós.


Slide da Oficina de Escuta Empática que aconteceu de forma digital.


2º encontro: Comunicação Não-Violenta


Após nos conhecermos melhor, no segundo encontro realizamos a nossa Oficina de Comunicação Não-Violenta, abordando sobre o assunto de forma leve e ao mesmo tempo aprofundada, para nos trazer reflexões e mais autorresponsabilidade pela maneira com a qual nos comunicamos. Durante a escuta empática, pudemos observar que muitos dos jovens falaram sobre o medo de se comunicarem, principalmente diante de um público. Neste sentido, a palavra, assim como a linguagem não-verbal, têm uma função estruturante, ou seja, de erguer estruturas para que estes jovens se sintam preparados para tomarem os seus lugares de atuação social e construírem espaços de convivência mais pacíficos. Abordamos principalmente o papel do autoconhecimento, além de discorrermos sobre a diferença entre empatia e simpatia e como podemos gerar cada vez mais conexões por meio do nosso comunicar. Metodologicamente, nos inspiramos nas teorias de Comunicação para o Empoderamento Cidadão e referências como Marshall Rosenberg, sintetizador da Comunicação Não-Violenta e Paulo Freire, uma das nossas maiores referências de trabalho que nos inspira para uma abordagem inclusiva, humanizada e dialógica. Uma oficina facilitada por meio da fala com o coração, transmitindo e recebendo saberes com todo o afeto de nossas almas!


3º encontro: Diversidade e Inclusão Social - Best Buddies Brasil


Em nosso terceiro encontro tivemos a honra de conhecer mais sobre o trabalho de inclusão de pessoas com deficiência intelectual realizado pela Best Buddies no Brasil. Com mais de 30 anos de experiência, a Best Buddies é a maior organização do mundo dedicada a acabar com o isolamento social, físico e econômico de 200 milhões de pessoas com Deficiência Intelectual. É um movimento que se espalhou por mais de 54 países, sendo 14 deles na América Latina. No encontro, discorremos também sobre formas não-capacitistas de nos comunicarmos, afinal, o preconceito enraizado para com as pessoas com deficiência é também uma forma de violência. Por meio da inspiração do tema pudemos abordar o tema da diversidade, tolerância e inclusão social percebendo como o tema é pulsante em meio a esta geração conectada com a mudança de valores pela qual a nossa sociedade transita atualmente.


Algumas das carinhas que fizeram parte do encontro de forma digital.


4º encontro: Transformação Social e Autocuidado


Um dos encontros mais especiais deste caminho, onde falamos da importância do amor próprio, autocuidado e não-opressão para conosco. Finalizamos e iniciamos com meditações guiadas pela nossa fundadora, Bárbara Tomiatti, para nos conectarmos com o nosso corpo e adentrarmos a um estado de foco e paz de espírito. Pudemos observar que neste contexto, o maior desafio é o de silenciar a quantidade de informações que permeiam em nossas mentes. Abordamos propostas sobre como integrar o bem-estar em nosso dia-a-dia em meio a tantas situações adversas, além de trazer luz para a inteligência inata que habita cada coração e sobre nos deixarmos guiar pela nossa intuição para integrar o que verdadeiramente somos. Nesta etapa, sentimos mais liberdade e abertura para trazermos conteúdos de forma transdisciplinar e integrativa, ou seja com uma visão holística voltada para o autoconhecimento, alentando os jovens a escreverem suas biografias, com destaque para as principais conquistas para se tornarem quem são.


5º encontro: Unidade e Consciência Sistêmica: o que eu faço impacta ao meu redor e no mundo.


Em nossa última oficina, nos encontramos de forma presencial com todo o calor e carinho que pedia este momento de conclusão de jornada. Abordamos conceitos de solidariedade, fraternidade e saberes ancestrais de matriz africana como o Ubuntu - eu sou porque nós somos. Tivemos a participação da nossa consultora Patricia da Motta Tomiatti, consteladora familiar que trouxe dinâmicas de pedagogia sistêmica, treinando o nosso olhar e observando o que nos impede de enxergar no olhar da outra pessoa um espelho do que somos e um grande universo em potencial, digno de todo o amor e respeito. Ao final, compartilhamos todas as emoções e sensações que o exercício nos trouxe, tais como vergonha, alegria, distração, bloqueio, conexão, timidez e empatia.


Dinâmica de olhar sistêmico realizado presencialmente respeitando as medidas de segurança.


Também tivemos a cerimônia de entrega dos certificados de participação da Formação Continuada no Bazar Solidário da Gerando Falcões! Para finalizar o nosso encontro em estado de celebração e trazendo na prática o sentimento de unidade, nós tivemos a apresentação de canto e violão entre jovens e a nossa fundadora, que entoaram canções de Alceu Valença, Natiruts e homenagearam Marília Mendonça! Confira um trecho deste baita momento:



''Raio de sol nascente brotando a semente

Sinhá me diz porque é que o menino chorou

Quando chegou em casa e num canto escuro encontrou

A sua princesa e o moleque fruto desse amor

Chorando de fome sem saber quem os escravizou

Deixa o menino jogar ô iaiá

Deixa o menino jogar ô iaiá

Deixa o menino aprender ô iaiá

Que a saúde do povo daqui

É o medo dos homens de lá

A consciência do povo daqui

É o medo dos homens de lá

Sabedoria dos povo daqui

É o medo dos homens de lá.''


Agradecemos de toda a nossa alma pela parceria junto a @robertacruzlima, consultora Comunica com Alma e diretora da Best Buddies Brasil, que esteve lado a lado conosco neste processo e que possibilitou este encontro potente.



“Aos 15 anos, orientei meu coração para aprender.

Aos 30 eu plantei meus pés firmemente no chão.

Aos 40 não mais sofria de perplexidades.

Aos 50, eu sabia quais eram os preceitos do céu.

Aos 60, eu ouvia com ouvido dócil.

Aos 70, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, porque o que eu mais desejava não mais excedia as fronteiras da justiça.”

- Confúcio


Que essa jornada que se iniciou por volta dos quinze possa abrir caminhos para a formação de lideranças que seguirão na linha de frente rumo à mudança que tanto sonhamos. Atuando em conjunto, a gente muda o nosso olhar e a transformação do nosso olhar muda o mundo! Somos parte desta história! E o poder do amor nos move neste caminho.


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