Sementinha do Bem - Por Mariana Chiarelli

Sabe quando perguntam o que a gente quer ser quando crescer? Eu quero ser a pessoa que muda o mundo pra melhor. Audaciosa? Talvez. Mas mudar o mundo, pra mim, parece uma tarefa que todo mundo pode fazer, no dia a dia mesmo. Como? Fazendo o bem.


Foi pensando nisso que fundei, junto à minha família, o Sementinha do Bem. Ele é um projeto social focado na ajuda a pessoas em situação de rua que ocorre através da venda de plantas. 100% do lucro dessas vendas é revertido para ajuda de quem precisa. Além disso, tenho o intuito de o tornar um hub do bem, onde possamos espalhar frases de incentivo e divulgar outras organizações de ajuda ao próximo.


"Ah Mariana, mas não tenho recursos suficientes, não tenho um projeto ou não sei como trazer isso para o âmbito profissional." Vem comigo que eu te mostro em 5 tópicos que você também pode mudar o mundo quando crescer.


1. Nenhuma ajuda é pequena: muitas vezes achamos que por estarmos sem condições financeiras não conseguiremos ajudar o próximo, ou que nossa boa ação não será suficiente. Sim, a ajuda monetária é importante porque através dela compramos comida, roupa, remédios, cobertas… Porém, o que nutre a alma não é o dinheiro, e sim, a atenção. O dinheiro não é a única e mais importante forma de fazer o bem. Quando damos nossa atenção, do nosso tempo, estamos verdadeiramente ali para aquela pessoa, e não há dinheiro nenhum no mundo que compre o sentimento de se sentir querido. Para além da empatia, compaixão é agir em prol daqueles que precisam. E aqui não falo apenas de pessoas em situação assistencialista, e sim, de qualquer um que esteja à nossa volta. O agir muitas vezes é estar aqui e agora, compreendendo verdadeiramente o que se passa com o outro, podendo assim ajudar na necessidade específica, e não de modo automático.


2. Amor amorece: tem uma frase do Frei Jaime que diz "Mãos que doam amor, nunca ficam vazias." Essa frase faz muito sentido para mim. Quando criei o Sementinha do Bem, tinha receio de não conseguir apoiadores suficientes para manter o projeto em pé, tinha medo de dar um passo maior que a perna. Enrolei até realmente colocar a ideia em prática, e em um determinado momento fui com medo mesmo. Em pouco tempo, familiares, amigos, amigos de amigos e até desconhecidos começaram a ajudar, divulgar e hoje com 6 meses, o projeto continua em pé. E o que quero dizer aqui? Que o bem atrai o bem. Pode parecer loucura, mas quando você decide fazer algo, o universo te ajuda na direção. Aos poucos foram surgindo pessoas interessadas, que se dispuseram para ajudar desde na gestão da rede social, entrega de comida nas ruas, até doação corriqueira. A corrente do bem é enorme, basta começar (com medo mesmo).


(Crédito: @sementinha_dobem)



3. Para além do voluntariado: quando falamos de "fazer o bem", muitas vezes associamos ao assistencialismo. Mas na realidade a ação benfeitora começa consigo mesmo e com quem mora no mesmo teto que você. É ouvir seu parceiro, ajudar sua tia a levar as compras do mercado até o apartamento, é dar voz a sua amiga que faz parte de uma minoria, dar um sorriso para um desconhecido na rua (sorrir deixa os músculos relaxados por até 45 minutos, ajuda no bom funcionamento do sistema cardíaco, rejuvenesce, diminui o risco de doenças psicossomáticas entre outras coisas. Me diz, se isso não é tornar o mundo de alguém melhor, não sei o que pode ser). O fazer o bem se estende em tantas vertentes, e aqui me traz de volta ao tópico 1: não precisamos de planos mirabolantes para sermos pessoas melhores. Não é sobre excluir o assistencialismo, e sim, agregar seu repertório do que é fazer o bem. O fazer o dia melhor está nos mais simples dos atos.


4. Marcas podem e devem falar sobre causas: quando escolhi cursar publicidade e propaganda, meu intuito era poder abordar temas de causas no meu trabalho. Poder incluir quem antes consumia mas não se via no que consumia. Há tempos que as marcas passaram de apenas bens de consumo para influenciadoras, e como vozes potentes elas têm a obrigação de dar visibilidade para minorias, abordar conteúdos relevantes, abrir espaço para quem de fato está do outro lado: você. Algumas formas de levar conversas que importam para frente é como a Magazine Luiza que recentemente abriu um programa de trainee exclusivo para pessoas negras, ou a W3haus com o programa de vagas para pessoas T., tem também a More Girls, maior plataforma focada em talentos criativos femininos no Brasil, porque a mudança externa que tanto queremos, começa de dentro. Um ponto de atenção é que assuntos delicados podem ser abordados de maneira leve e divertida sem perder a relevância, como nessa ação que o O Boticário fez para o Dia do Orgulho LGBTQIA+, a campanha da Diesel que traz a Winnie Harlow, primeira modelo com vitiligo no mundo da moda, para celebrar a igualdade e intolerância, ou como a Obvious Agency aborda diversos temas cotidianos que precisam ser discutidos como se fosse um bate papo entre amigos. E o que isso tem a ver com fazer o bem? TUDO! Lembra que eu disse que o bem é uma corrente? Que ele vai além de doações? O bem é nosso dever como ser humano, algo que precisa ser natural. E o natural é que todos tenham seus direitos e possam se enxergar no outro, ou no que consome. O bem não deve ser algo programado, automático ou que tenha um benefício próprio no final. O bem deve ser natural, com paixão e genuíno.


5. Você pode: não, não tem como mudarmos o mundo todo de uma vez, mas a gente pode sim mudar o mundo de alguém para melhor. Acredite, você é uma super heroína e um super herói em muitos momentos do dia, só precisa perceber isso. Quando tiver noção que sua fala e atos tem um poder ilimitado para o bem, o fazer vai ser a parte mais fácil e natural. A frase do Felipe Morozini que diz "eu me vejo em você", me faz pensar o quanto somos reflexos e refletimos. E aí, o que você anda refletindo?



(Crédito: divulgação)


Eu não sou dona da verdade, e sei que ainda posso fazer muito mais do que já faço, mas só de saber que estou escrevendo sobre um tema desses, meu coração fica quentinho porque mostra mais uma vez que a corrente do bem é enorme!


Então já sabe: pode preparar sua fantasia de super heroína/herói porque tenho certeza que você vai mudar o mundo comigo (mas como Edna Moda diz: "nada de capas").



(Crédito: site Ecolines)




A Mariana Chiarelli tem 24 anos, é sagitariana

ama gravar áudios longos (divagando no meio)

e rir com a vida e gosta de conversar

com a linguagem de memes e stickers. É publicitária,

se interessa demais por Neurociência aplicada à comunicação,

curte escrever poesias e poemas (@poesiacombatatafrita)

e é a fundadora do projeto @sementinhadobem.




46 visualizações0 comentário