#CoronaNoParedão: empreendedorismo social e suas atuações vitais no combate à fome

Esta matéria foi inspirada na atuação inédita e esplêndida do Eduardo Lyra, fundador da ONG Gerando Falcões e sua equipe. Sei que existem muitas outras pessoas com histórias de vida, garra e liderança para lidar com as adversidades e problemas sociais, bem como este homem. Mas dados os últimos acontecimentos, quero exaltar a atuação de empreendedores/as sociais com base no trabalho relevante que este, em especial, vem realizando.


''Passei a infância num barraco em uma favela em Guarulhos-SP. Tive pai preso no sistema carcerário. Cresci visitando meu pai no presídio, mas também ouvindo me mãe me dizer: "filho, não importa de onde você vem, mas pra onde você vai"! Minha preta abriu uma bolsa de valores emocionais na minha alma. Virei o jogo e fui pra universidade (não formei). Escrevi um livro chamado Jovens Falcões e vendia de porta em porta na periferia e na favela - com um time de 50 jovens. Com o dinheiro fundei a Ong Gerando Falcões, que atende moradores de periferias e favelas e, hoje, se transformou em uma rede de Ongs dentro de periferias e favelas. Por conta deste trabalho, fui selecionado pelo Fórum Econômico Mundial como um dos jovens brasileiros que podem mudar o mundo - fazendo parte do Global Shapers. Sai na lista da revista Forbes Brasil, entre os jovens mais influentes do País com menos de 30 anos. Fui eleito empreendedor do ano pelo LIDE. Carreguei a Tocha Olímpica no Brasil e fui dar palestra em Harvard, Babson College, Google, Ambev, Accenture, etc. Meu trabalho é criar a maior e mais transformadora rede de Ongs do planeta e ajudar a mandar a miséria da favela pro museu.''


Eduardo Lyra. Crédito da Imagem: Ricardo Dangelo/@dangelofotos. Fonte: Exame.


É assim que o Edu se apresenta em seu perfil no LinkedIn e optei por não resumir ou ocultar qualquer parte deste relato, porque é um trecho que comunica com bastante alma e que remete a um estado de empatia muito forte. Seria uma grande perda não trazer esta sensação a quem está realizando esta leitura. Uma outra fala que me impactou bastante e talvez tenha sido a que me inspirou a escrever esta matéria, foi a resposta ao questionamento que ele deve ouvir de forma recorrente: por que não atuar na política?


Em resposta a esta questão, Edu iniciou a frase dizendo que é completamente apaixonado como empreendedor social. Relatou parte das situações mais difíceis que já passou e diz que tem uma missão em meio a isso tudo. Que reconhece a importância da sua voz. De modo muito genial, relata carinhosamente que: ''você não pergunta a um atleta olímpico se ele quer virar ministro, pois ele quer a medalha olímpica.'' Afirmou que quer a medalha olímpica. Medalha que neste contexto significa resolver a questão da pobreza como empreendedor social.


A resposta na íntegra está disponível no link: aqui.


Esta frase me tocou bastante. No mesmo momento, lembrei de um dado muito interessante que mostra a descrença do povo brasileiro com a política, em um estudo da Edelman Trust Barometer de 2019. Embora atingindo a marca de 28%, o setor político ainda não se mostra como uma instituição confiável aos brasileiros, enquanto que líderes e CEOs têm 75% dos respondentes que afirmam “confiar em meu empregador”. Uma porcentagem ainda maior do que as ONGs (57%) e a mídia (47%). É também neste sentido que a Responsabilidade Social Corporativa é uma aposta para grandes mudanças sociais, quando suas ações são estruturadas com coesão e transparência, de forma integrativa.


Antes de conectarmos a história do Edu, a descrença do povo com o Estado e as atuações da sociedade civil no enfretamento das problemáticas agravadas pela pandemia, precisamos destacar a situação atual a respeito da questão da fome no país. O cenário brasileiro com respeito ao aumento de pessoas em situação de rua e falta de acesso a alimentos básicos é alarmante. E de uma forma bastante discrepante, o número de bilionários no Brasil apenas cresce. Dados da pesquisa Olhe para a Fome, realizada no último trimestre de 2020, apontam que 19 milhões de pessoas, ou seja 9% da população brasileira, passam fome diariamente. Este é o maior número desde 2004. Além disso, cerca de 55% dos brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. Se fizermos um recorte de gênero, esta mesma pesquisa mostrou que a fome estava presente em 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres e 7,7% quando a referência era um homem.


Como alerta Maister da Silva - Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores, as ações de solidariedade impulsionadas pela sociedade civil são muito importantes, mas o quadro não será revertido sem políticas públicas efetivas conduzidas pelo Estado. Enquanto a população recebe um auxílio emergencial que não compensa as perdas de renda ocorridas ao longo da pandemia, o número de bilionários no Brasil subiu de 45 para 65 do ano passado para cá, segundo a revista Forbes. Estudos mostram que o auxílio emergencial em sua fase inicial ajudou a evitar um cenário pior no país, mas não foi tampouco está sendo suficiente para superar as condições de insegurança alimentar em território nacional. Políticas públicas voltadas para a redução da desigualdade se fazem mais necessárias do que nunca para reverter este cenário.


Todavia, sobram motivos para que a descrença, desconfiança e desânimo tomem conta dos sentimentos da população em meio ao (des)governo o qual estamos submetidos e que vem atuando e ministrando atitudes pífias, e consequentemente tratadas como genocidas, no enfrentamento da maior crise sanitária que o país já enfrentou. É justamente em meio a este cenário que a pressão por gestões de políticas públicas mais eficazes precisa existir e refletir democraticamente nas urnas. Enquanto isso, a atuação da sociedade civil traz a tona exemplos e mais exemplos de mobilização comunitária, principalmente no enfrentamento da questão da fome, ressaltando o caráter de solidariedade e de cooperação para a sobrevivência, em meio a um cenário bastante triste e desafiador.


A boa notícia é que enquanto existirem pessoas fazendo pulsar a chama da esperança, ela não se apagará. Por meio do seu grande poder de mobilização, relacionamento e influência, Edu Lyra liderou uma campanha histórica no combate à fome em meio a esta crise sem precedentes. Com base no sucesso e popularização do Reality Show Big Brother Brasil 2021, transmitido pela TV Globo, a campanha de comunicação com fins sociais tem o mote #CoronaNoParedão e conta com ''anjos'' para disseminarem a arrecadação financeira que será revertida em cestas básicas para distribuição em comunidades ao redor do Brasil.


Conteúdo disponível no site oficial da campanha para que internautas possam propagar a mensagem.


A mobilização chamou atenção também de empresas e grande empresários, o Google doou 5,5 milhões e a família Diniz e o Jorge Paulo Lemann entraram na campanha em um formato de meachfunding. Ou seja, caso a campanha chegasse a um valor pré-estipulado, ambos doariam mais 500 mil cada. E assim, o desafio junto ao Lemann agregou mais 2 milhões para as arrecadações que até o momento, tem a meta de atingir 25 milhões de reais.


Nós da Comunica com Alma não poderíamos ficar de fora desta campanha linda de mobilização social e nos unimos na missão de cancelar a fome! Para fazer parte e contribuir, basta acessar o link: Anjo Comunica com Alma.


Como posso ajudar?


- Doando através do link mencionado ou para outras instituições/movimentos que estejam na mesma luta. Nós indicamos alguns coletivos em nosso post no Instagram sobe ODS 2 - Fome Zero e Agricultura Sustentável.

- Doando alimentos diretamente a pessoas em situação de rua ou comunidades próximas - se atentando aos cuidados de segurança devido a pandemia.

- Compartilhando informações e campanhas de arrecadação. Esta é uma ajuda primordial. Expanda iniciativas por meio da sua rede, saiba que é influente no meio o qual faz parte!


Para trazer um incentivo extra e presentar a nossa rede engajada, ao batermos a nossa meta de arrecadação de cestas básicas por meio da doação no link mencionado, nós vamos disponibilizar um E-book inteiramente gratuito que funcionará como um Mapa para Criação de Projetos que Comuniquem com Alma! Ele já está saindo do forno e sendo planejado com muito amor para democratizarmos conhecimento e facilitarmos o processo de criação de projetos com essência.




O Edu é um cara que comunica, constrói, trabalha, emociona e vive a experiência de empreender com fins sociais com alma. É por meio do seu exemplo e inspiração que nós atuamos como sementinhas de um processo com diferentes meios e proporções, mas um fim muito semelhante. O de construir um novo mundo. Mais justo, mais maravilhoso, mais pacífico e seguro para todes.


A você que também dedica o seu tempo, energia, dinheiro e vitalidade empreendendo no setor social, enviamos todo o nosso carinho e um forte abraço, virtual até o momento em que vos escrevo. Um dia não seremos mais necessáries e talvez não estejamos aqui para colher os frutos plantados em solo fértil e igualitário. No entanto, acompanhar as ações sociais que estão mudando vidas e saber que esta colheita só será possível porque nós hoje estamos preparando o terreno e semeando com todo o nosso amor e resistência é o que nos move e nos traz motivos diários para não parar.


#CoronaNoParedão #FomeNão #VamosCancelarAFome



Bárbara Tomiatti Giancola

É empreendedora social e fundadora da Comunica com Alma

Aposta todas as suas fichas na cocriação de um Novo Mundo

e acredita na disseminação da Comunicação para a Paz

como um meio que facilita este processo.

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